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domingo, 5 de julho de 2026

RN SE APROXIMA DE UM VEÍCULO PARA CADA DOIS HABITANTES, APONTA DETRAN.

 Rio Grande do NOrte possui uma frota de 1.686.150 veículos para uma população estimada em 3,45 milhões de pessoas. Foto: Magnus Nascimento

O Rio Grande do Norte registrou uma taxa de motorização de 48,8 veículos para cada 100 habitantes em 2025. Embora as cidades de maior porte, incluindo Natal e Mossoró, mantenham as maiores frotas, a incidência de veículos por habitante em alguns municípios de menor porte foi quase duas vezes maior que a estadual. Os dados são de levantamento realizado pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado (Detran/RN).

Em números absolutos, o Estado registrou uma frota de 1.686.150 veículos para uma população estimada de 3.455.236 habitantes no último ano. Entre as cidades com a maior taxa de motorização, Jaçanã lidera o ranking, com 93,1 veículos por 100 habitantes, seguida por Pau dos Ferros (90,9) e Caicó (87,7). No conjunto de cidades com maior frota de veículos, Mossoró apresenta a maior taxa, com 77,0 veículos por 100 habitantes. Na sequência, aparecem Natal (59,4) e Parnamirim (51,7).

A professora Isabel Magalhães, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisa mobilidade urbana e afirma que a avaliação sobre os impactos da taxa de motorização perpassa diferentes tópicos. Dentre eles, estão a influência dos veículos na emissão de gases do efeito estufa (gees) e os desafios na mobilidade.

Do ponto de vista ambiental, embora exista a ideia de que os veículos elétricos sejam mais sustentáveis, ela defende que essa medida isoladamente não é capaz de frear a poluição nas cidades. Em relação à mobilidade, destaca a dificuldade de ampliação do sistema viário para abarcar a frota crescente de modais individuais nas capitais, como Natal.

“Temos cada vez mais veículos e um espaço limitado, ou seja, não tem para onde crescer. Do ponto de vista de circulação das pessoas na cidade, isso é um problema muito grande e, para que as pessoas mudem a forma de se deslocar, é preciso que exista um incentivo para outras opções modais, ou o resultado final é o colapso completo do congestionamento, que fica cada vez pior”, destaca Isabel Magalhães.

Segundo dados do Detran, atualizados até a manhã da última sexta-feira (3), o Rio Grande do Norte atingiu uma frota de 1,7 milhão de veículos neste ano. Natal, Mossoró e Parnamirim seguem liderando o ranking de cidades com maior volume de frota, com 480.271, 222.299 e 146.593 veículos, respectivamente.

Nas cidades menores, a falta de incentivo para que a população possa escolher outras formas de deslocamento tem resultado na aquisição crescente de motocicletas. Isabel Magalhães aponta que o cenário resulta do menor custo para adquirir esses veículos e da falta de serviços de transporte nessas localidades.

“Não existindo um serviço de transporte público, ou sem um serviço de transporte público eficiente, por exemplo, a primeira coisa que eu faço quando possível é comprar uma moto. A partir disso, consigo me deslocar da minha cidade para onde eu quiser e, muitas vezes, sem os equipamentos de segurança necessários, o que gera um outro problema dentro dessa circulação”, exemplifica.

O professor Emerson Melo, especialista em legislação de trânsito, traz uma perspectiva semelhante. Além da condução de motos sem equipamentos de segurança, ele observa que muitos condutores utilizam esse meio de transporte sem apresentar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e conhecer as regras de trânsito.

“Tudo no trânsito precisa considerar a tríade composta por engenharia, educação e fiscalização. Os órgãos, às vezes, só se lembram de fazer a fiscalização e atribuem todos os problemas que acontecem no trânsito, como a aquisição de motocicleta sem habilitação, por exemplo, à falta de fiscalização. Mas se existir sempre essa tríade, nenhum tipo de programa ou planejamento vai dar certo”, argumenta.

Para Isabel Magalhães, a solução para enfrentar o aumento crescente da frota de veículos deve incluir, dentre outros pontos, medidas que ampliem a competitividade do transporte público em relação ao transporte individual e a educação para a mobilidade sustentável desde a infância.

“O ponto de destaque é a educação para mudar o comportamento das pessoas e, associado a isso, a melhora da infraestrutura, porque se eu não tenho infraestrutura, não tem educação que me faça mudar a forma como eu me desloco na cidade”, ressalta.

A visão é acompanhada pelo professor Emerson Melo: “Somente pela educação vamos mudar o nosso país em todos os aspectos e, no trânsito, não é diferente. A educação de trânsito em todos os níveis de idade ou de escolaridade é a única solução para termos um trânsito seguro e eficiente nas próximas gerações”.

Especialistas defendem transporte coletivo, infraestrutura e municipalização do trânsito para enfrentar crescimento da frota. Foto: Magnus Nascimento

Detran/RN reforça a municipalização

O estatístico do Detran/RN, Antonino Melo, lembra que os dados da taxa de motorização indicam a maior ou menor dependência das localidades pelo transporte individual, mas não necessariamente um grande fluxo de veículos nas cidades. Quando o número de veículos se aproxima do total de habitantes, por exemplo, a taxa fica mais elevada. “Então deve ser avaliado de forma mais refinada e pontual a situação desses municípios”, afirma.

Embora o Detran/RN atue com ações educativas no trânsito e realize o acompanhamento do monitoramento de tráfego, o especialista defende a ampliação do processo de municipalização do trânsito. Isso porque o Departamento atua de forma mais generalista e a efetivação de planos locais pode ser mais efetivo para os municípios.

A municipalização está prevista no Código de Trânsito Brasileo (CTB) e acontece por meio das adequações do município à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Em geral, é preciso que as cidades apresentem estrutura para desenvolver atividades de engenharia de tráfego, fiscalização de trânsito, educação de trânsito e controle e análise de estatística.

Dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, 29 são municipalizados. Dentre eles, estão Natal, Mossoró e Parnamirim, que apresentam as maiores frotas de veículos, além de Caicó, que está entre as cidades com maior taxa de motorização. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE contatou as prefeituras de cada cidade para entender como as gestões estão atuando para se adaptar ao número de veículos em circulação. Apenas as prefeituras de Parnamirim e Caicó responderam.

Em resposta à reportagem da Tribuna do Norte, o titular da Secretaria de Segurança Pública, Defesa Social e Mobilidade Urbana (Sesmob) de Parnamirim, Givanildo Gomes do Nascimento, afirma que um conjunto de estudos e projetos voltados à melhoria da mobilidade urbana no município está em andamento.

Entre as ações previstas, ele destaca a implantação do binário do Centro, que deve entrar em execução no próximo mês, e análises para intervenções em Nova Parnamirim, incluindo a implantação de outro sistema de binário e a substituição de alguns semáforos por rotatórias. “Além disso, o projeto da Via Celeste segue como uma das principais iniciativas para desafogar o tráfego em importantes corredores viários, contribuindo para uma mobilidade mais eficiente e segura”, destaca.

Já a titular da Secretaria de Mobilidade Urbana, Trânsito e Transportes Urbanos, Luzinete Dantas, disse que a pasta está atuando em medidas como o asfaltamento das ruas e adaptação dos estacionamentos à 45°.

Fonte Tribuna do Norte 

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