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sábado, 31 de março de 2018

HOJE, DIA 01 DE ABRIL, CAMPO REDONDO E SANTA CRUZ RELEMBRAM FATO HISTÓRICO QUE ENVOLVE AS DUAS CIDADES DA REGIÃO TRAIRI

"Retorno a partilhar uma breve autoria, em memória da catástrofe de 1981 na cidade na qual resido, Campo Redondo/ RN. Redigi o texto perante os relatos que ouço ao longo dos meus anos de vida, por aqueles que vivenciaram o ocorrido. A princípio, saúdo os grandes nomes da história, dos que partiram para eternidade e dos que estão em vida; a cada cidadão Camporedondense. E também, a você leitor de outra localidade, que se interessou em decodificar o texto. Espero que as simples palavras desse o instigue e que, permita na memória uma construção de cena. Naquela tarde tudo representava indícios de que seria um dia semelhante a um outro qualquer, o sol havia amanhecido sorrindo, os pássaros cantavam uma doce e singela sinfonia, nada demonstrava gestos de que uma catástrofe estava a caminho. Realmente, tudo se encontrava estável, a esperança preenchia o coração daquele povo trabalhador, leal e digno. Um sentimento de prosperidade os alegrava, pois, havia chegado o inverno, já que o trabalho no campo era a principal fonte de renda da época, e a chuva, é um elemento primordial para uma significativa colheita. Nessa realidade, falar de cheia era sinônimo de fartura. Mas, jamais imaginavam que aquilo que antes trazia bonança, dessa vez viria como destruição. Seguiram com suas atividades rurais, cantarolando de tanta alegria, pois novidades estavam por vir. Na mente um turbilhão de planejamentos, planos esses para o cultivo da lavoura. O banco de sementes no canto da parede estava a esperar as gotas do céu, para se multiplicar. Diante das grandes secas, típicas do Sertão Nordestino, o povo batalhador trabalhava de “ sol a sol”, sempre em orações pelas gotas celestiais. Assim aconteceu na tarde do dia primeiro de abril de 1981, na cidade de Campo Redondo/ RN. Os grandes nevoeiros aos poucos iam se formando, cobrindo o sol e ofuscando seu brilho e, uma brisa de vento soprava lentamente. Era uma verdadeira sensação de paz. E aquelas nuvens foram acumulando-se, na sequência, em questão de minutos começaram a banhar a tão saudosa Campo Redondo. Uma chuva considerada calma, sem relâmpagos e trovões, derramava forte, e nesse mesmo ritmo seguiu durante horas. Pulos de alegria dava a sua gente, pois, a garantia do alimento para si e para suas crias se fazia a partir dali. O dia se despedia, e a noite aproximava-se. Mas, o cenário era o mesmo, a água continuava sendo o autor principal daquele entardecer. Não demorou muito para que os moradores avistassem que o maior reservatório da localidade estava transbordando, o tão famoso açude nomeado por (Mãe d´água), era uma cheia jamais antes vista. Isso já era motivo de alerta e uma certa sensação de pânico tomava conta daquele povo. Dominados pelo medo, foram evacuando de suas moradias e levando a alerta para os que ainda não tinham conhecimento da gravidade da tragédia que estava prestes a acontecer, em destaque as ligações para os municípios vizinhos. Porém, era difícil de acreditar, já que esse desastre estava se passando numa data denominada como o dia da mentira, e por esse motivo a desgraça só tendia a crescer. Assim como as gotas de chuva molhavam a terra, as lágrimas lavavam os seus rostos, pois estavam convictos de que em questão de minutos, aquilo que com esforços de anos foi construído seria consumado pela água em intervalo de minutos. Um verdadeiro terror. As suspeitas tão temidas se confirmaram, em instantes um barulho assombroso ecoou como o ronco do trovão, que mesmo os confundiu. Mas, o esperado daqueles últimos momentos se concretizou, a parede do reservatório se rompeu pela força da água e ligeiramente ia invadindo as imediações. Correria, gritos e clamor tomou conta dali. Era um desespero em prol da vida. A escuridão dominou, e essa era mais uma complicação a ser vencida, parecia realmente ser o fim. O alagamento alastrava-se, e a cruz da capela de Nossa Senhora de Lourdes foi o marco a ser atingido por quase todos, já que lá era um dos pontos mais altos, o lugar no qual essa cheia não alcançaria. Assim seguia, patriarcas tentando salvar suas famílias, estendendo a mão ao próximo, pois o lema desse povo sempre foi serenidade e humildade no coração. Era aterrorizante, parecia ser um pesadelo, ou melhor, um filme de terror. A agonia estendeu-se durante horas, e o resto daquela noite foi apenas clamor e tristeza. Ao amanhecer do dia 02, a cena que se notava era horrenda, grande parte da cidade voltou a ser apenas um espeço de terra vazio, totalmente coberto pela lama e vestígios que sobraram do que era composta Campo Redondo. A alma ficou dominada pela angústia e dor, tanto pela destruição, quanto pelas pessoas que perderam a vida nisso, não só da localidade, como também das povoações vizinhas, em destaque Santa Cruz, que foi atingida em grande proporção, onde que a paisagem deixada pela força da água era de desesperadora. Nesse mesmo contexto, o silêncio predominava, todos encontravam-se extasiados, sem forças para coisa alguma. O sol havia voltado a sorrir, mais o espírito permanecia na escuridão da aflição. Ao longo dos dias, as ajudas foram chegando, todos em prol de uma reconstrução, e em acolhimento para aquelas famílias que ficaram desprovidas de amparo. Durante longos dias moraram em baixo de tendas feitas de lonas e troncos de árvores, necessitavam encarecidamente de ajuda. Mas, populações vizinhas, autoridades e os próprios moradores que não foram atingidos da mesma maneira, não mediam esforços e estendia a mão a estes como podiam. Se passaram meses, novamente iniciou aquele processo de construção, e vagarosamente o município ganhava uma roupagem nova, tudo que amenizasse a lembrança desse dia doloroso. Hoje, tornou-se uma cidade desenvolvida graças ao pai celestial, uma nova Campo Redondo. A estrutura mudou, mas os corações caridosos permaneceram e encontram-se na mesma maneira. Uma localidade pequena, mas repleta de grandes histórias, por trás de tanta beleza, houve uma grande trajetória de dor, que se tornou um marco que jamais será apagado de nossas memórias. Após 38 anos do ocorrido, as lembranças permanecem intactas nos que viveram e nas gerações o sucedeu. -Kennedy Andersson Pereira dos Santos. Desde já, peço desculpas se falhei em alguma parte, pois, redigi o texto conforme o que me foi apresentado nesses meus anos de vida, por familiares e conhecidos que vivenciaram a catástrofe."

Autor Anderson Kennedy

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