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sábado, 13 de junho de 2026

PESQUISA FAKE: INSTITUTO VERITÁ É ALVO DE QUESTIONAMENTOS NO RN POR IRREGULARIDADES EM PESQUISAS DE PRÉ-CANDIDATO BOLSONARISTA.


Foto: Divulgação 
A juíza Francimar Dias, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), determinou nesta sexta-feira 12, em caráter liminar, a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Veritá sobre a disputa para o Governo do Estado e para o Senado nas eleições de 2026. A decisão atendeu a uma representação do partido Republicanos, que apontou irregularidades no plano amostral e na metodologia utilizada pelo instituto.

O levantamento, registrado na Justiça Eleitoral sob o número RN-06276/2026, foi divulgado na última quarta-feira 10 e apresentava Álvaro Dias (PL) na liderança da corrida pelo Governo do Estado, seguido por Cadu Xavier (PT) e por Allyson Bezerra (União). O resultado destoou de sete outras pesquisas divulgadas entre o fim de maio e o início de junho no Rio Grande do Norte, que apontam Allyson na primeira colocação, Álvaro em segundo e Cadu em terceiro lugar, como ocorreu em levantamento do Instituto Exatus, divulgado pelo grupo Agora RN no fim de maio.

Na ação, o Republicanos sustentou que a pesquisa reproduziu problemas metodológicos já apontados anteriormente contra o Instituto Veritá, especialmente na composição do plano amostral. Segundo a legenda, o levantamento atribuiu 34% dos entrevistados à faixa de ensino superior, percentual muito acima da média de cerca de 14% utilizada por outros institutos com base em dados oficiais. Também foi questionada a distribuição por renda, com 25% da amostra concentrada entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos, enquanto outros levantamentos limitam esse segmento a aproximadamente 13% do eleitorado.

Outro ponto destacado pela representação foi a utilização de referências genéricas para a construção da amostra. O Instituto Veritá informou apenas que utilizou bases como IBGE, PNAD Contínua, MEC e Inep, sem especificar quais levantamentos, tabelas ou anos de referência serviram de parâmetro para a pesquisa, o que, segundo o partido, inviabilizaria a fiscalização dos dados utilizados.

Ao analisar o pedido, a juíza Francimar Dias entendeu que há indícios suficientes de irregularidade para justificar a concessão da tutela de urgência. Na decisão, ela afirmou que a pesquisa apresenta, em análise preliminar, incompatibilidades entre o perfil amostral informado e a distribuição demográfica do eleitorado potiguar, especialmente quanto às variáveis de escolaridade e renda.

A magistrada observou que o percentual de entrevistados com ensino superior registrado pelo instituto é significativamente superior ao utilizado por outros levantamentos baseados em fontes oficiais, indicando possível super-representação desse segmento na amostra. O mesmo ocorre, segundo a decisão, com a faixa de renda mais elevada, que aparece em proporção considerada discrepante em relação aos dados demográficos do Estado.

“Essa grande divergência nos dados percentuais, aferível de maneira objetiva, associada à indicação genérica da base de dados que serviu de parâmetro para a definição do plano amostral, prejudica, em uma análise preliminar, a capacidade de fiscalização do Ministério Público Eleitoral e dos demais interessados acerca da representatividade da amostra pesquisada, de modo a justificar o deferimento do pedido de suspensão da pesquisa eleitoral impugnada”, escreveu a juíza.

A decisão também ressalta que o Instituto Veritá já foi alvo de questionamentos semelhantes em outros processos envolvendo pesquisas eleitorais no Rio Grande do Norte.

Francimar Dias ainda destacou que a pesquisa já havia sido amplamente divulgada em diferentes plataformas e canais de comunicação, circunstância que amplia seus efeitos sobre a percepção do eleitorado acerca da disputa eleitoral de 2026. Diante disso, determinou a suspensão imediata da divulgação do levantamento em todas as plataformas, sites e meios de comunicação, até nova deliberação judicial, fixando multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. O pedido para estender a ordem de remoção a terceiros que reproduziram a pesquisa ficou para análise posterior.

Esta é a terceira pesquisa do Instituto Veritá suspensa pela Justiça Eleitoral no Rio Grande do Norte neste ano. Em decisão proferida no último dia 13 de maio, o juiz Marcello Rocha Lopes já havia determinado a suspensão dos levantamentos RN-02256/2026 e RN-04097/2026, também a pedido do Republicanos, pelas mesmas razões da nova suspensão.

O Veritá é sediado em Uberlândia (MG), mas costuma realizar pesquisas fora do território mineiro. Os três levantamentos do RN foram realizados com recursos próprios, segundo o registro oficial.

Além da Veritá, outro instituto que deu resultado destoante dos demais foi o AtlasIntel. O levantamento apresentou Cadu Xavier na liderança para o Governo do RN.Assim como a Veritá, no entanto, a Atlas tornou-se alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral e no meio acadêmico após a suspensão de um levantamento nacional sobre a corrida presidencial. No início desta semana, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, suspendeu o levantamento ao reconhecer indícios de viés contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).

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