
Foto: José Aldenir
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) defendeu a criação de consórcios regionais para permitir que municípios assumam parte dos licenciamentos ambientais de menor complexidade e, com isso, desafoguem o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). A proposta foi apresentada durante entrevista ao Jornal da Mix, nesta quarta-feira 3, como parte do plano de governo em construção pela Caravana DesenvolveRN, coordenada pelo União Brasil.
Segundo Allyson, o Estado precisa separar os processos estratégicos, que devem continuar sob responsabilidade do órgão estadual, dos licenciamentos de baixo risco que poderiam ser analisados em estruturas regionais. Ele citou como exemplos farmácias, mercadinhos e pequenas indústrias, atividades que, na avaliação dele, poderiam ser liberadas por equipes técnicas formadas em consórcios municipais
“Nós vamos formar alguns consórcios para que os municípios consigam também licenciar, do ponto de vista de consórcios regionais, aquilo que é de competência que eu entendo que é municipal e que é de menor grau de risco”, afirmou. Para ele, o Idema deve concentrar sua atuação em processos de maior impacto para o desenvolvimento estadual, como extração mineral, parques eólicos, energia solar, petróleo, gás natural, grandes resorts e grandes estruturas comerciais.
Allyson disse que pretende fazer um “grande mutirão” no órgão licenciador ambiental do Estado. A proposta inclui a participação de servidores estaduais, universidades e técnicos do setor privado, por meio de convênios. O objetivo, segundo ele, é acelerar a análise de processos, destravar empreendimentos e facilitar a instalação de empresas.
O pré-candidato afirmou que o Rio Grande do Norte tem potencial econômico, mas enfrenta excesso de burocracia. Ele citou o litoral com cerca de 400 quilômetros de extensão, o turismo, a fruticultura, a produção de couro, o minério, o petróleo, o gás natural, a energia eólica, a energia solar e o solo produtivo como riquezas que, segundo ele, ainda não são plenamente aproveitadas.
“O Rio Grande do Norte é poderoso. Esse Estado tem muito potencial. O que está faltando para o Rio Grande do Norte? Está faltando, de fato, um governo que consiga utilizar toda essa riqueza natural e do povo trabalhador que nós temos para fazer o Estado se desenvolver”, disse.
Allyson afirmou que empreendedores enfrentam dificuldades para conseguir licença ambiental, autorização para construir, abrir empresas e colocar empreendimentos em funcionamento. Ele usou como exemplo a instalação de hotéis e resorts no litoral potiguar e também os processos ligados à exploração de petróleo em terra e gás natural.
A proposta sobre o Idema foi apresentada dentro da Caravana DesenvolveRN, iniciativa que, segundo Allyson, percorre o Estado para ouvir a população e construir o plano de governo. O pré-candidato afirmou que pretende visitar os 167 municípios potiguares dentro do projeto “167 razões”, em referência ao número de cidades do Rio Grande do Norte.
Durante a entrevista, ele informou que qualquer cidadão pode enviar propostas, problemas, ideias, necessidades e projetos pelo WhatsApp da caravana, no número 84 99143-8838. Allyson disse que não quer conhecer o Estado apenas depois de assumir o governo, caso seja eleito, mas chegar ao início da gestão com prioridades definidas.
“Governar é eleger prioridades”, afirmou. Segundo ele, algumas medidas precisam ser executadas já no começo do mandato, enquanto outras podem ser organizadas ao longo da gestão.
Na entrevista, Allyson também apontou a saúde como o principal problema do Rio Grande do Norte. Ele citou insegurança, estradas ruins e falta de desenvolvimento regional como desafios graves, mas afirmou que a falta de atendimento em saúde é o problema mais sentido pela população.
O pré-candidato lembrou um episódio pessoal de 2014, quando sua avó, Francisca Conceição da Silva, precisou de atendimento no Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró. Ele afirmou que escreveu uma carta aos meios de comunicação pedindo ajuda e, após a publicação, a direção do hospital o procurou. A avó foi transferida para um hospital privado em leito custeado pelo Estado. Allyson disse que aquele episódio o aproximou da política.
Como contraponto, ele citou o Hospital Municipal de Mossoró, implantado em sua gestão. Segundo Allyson, a unidade funciona 24 horas por dia, realiza cirurgias de hérnia, vesícula, ginecológicas e gerais, além de atendimentos com especialistas.
O pré-candidato também criticou hospitais regionais que, segundo ele, têm esse nome, mas não realizam sequer procedimentos simples. Ele afirmou que moradores de Parnamirim relataram dificuldade para realizar cirurgias na própria região metropolitana e que visitou a Zona Norte de Natal, onde observou problemas nos hospitais Maria Alice Fernandes e Santa Catarina.
Na área de segurança pública, Allyson defendeu integração entre forças estaduais e municipais, policiamento ostensivo, uso de tecnologia e reconhecimento facial. Ele citou a experiência de Mossoró, onde afirmou ter armado a Guarda Municipal, criado auxílio para fardamento, substituído carros pequenos por picapes e implantado videomonitoramento no Mossoró Cidade Junina.
Allyson disse ainda que o Rio Grande do Norte precisa de gestão com presença nas ruas. Segundo ele, um gestor não deve confiar apenas em informações de secretários ou assessores. O pré-candidato afirmou que, em Mossoró, costumava visitar obras depois de inauguradas para verificar se estavam funcionando. “Deveria ser crime inaugurar obra que não funciona”, declarou.
A fala serviu de gancho para críticas indiretas a obras sem operação plena. Durante a entrevista, foi citado o Hospital Municipal de Natal, inaugurado no fim da gestão do ex-prefeito Álvaro Dias (PL), mas ainda sem funcionamento integral. Allyson afirmou que obra pública precisa funcionar e entregar serviço à população.
No campo político, o pré-candidato disse que sua base reúne União Brasil, PP, PSD, MDB, Solidariedade e Republicanos. Ele citou apoios de prefeitos como Nilda Cruz, de Parnamirim; Jaime Calado, de São Gonçalo do Amarante; Emídio Júnior, de Macaíba; Antônio Henrique, de Ceará-Mirim; Marianna Almeida, de Pau dos Ferros; Dr. Tadeu, de Caicó; e Ceiça Lisboa, de Caiçara do Rio do Vento.
Allyson afirmou que pretende governar sem escolher cidade, bairro ou rua por posição política. Ele disse que, em Mossoró, governou também para áreas onde perdeu a eleição de 2020. O pré-candidato afirmou que, se eleito, buscará recursos em Brasília independentemente de quem seja o presidente da República.
Segundo ele, sua experiência como prefeito mostrou que é possível abrir portas tanto em governos de direita quanto de esquerda. Allyson afirmou que o Rio Grande do Norte precisa de projetos qualificados, equipe técnica e capacidade de execução. “O que a gente quer é alguém que cuide do problema, alguém que solucione o problema”, disse.
Fonte Agora RN
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